A questão da categoria D

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Re: A questão da categoria D

Mensagem por thysvalkenburg em Qui Maio 31, 2012 8:46 am

RuiCaratao escreveu:
Thijs, esses lonchuras tinham um padrão de ocorrência, ou eram aleatoriamente capturados ao longo do ano? Não poderiam ser aves em dispersão, provenientes por exemplo da bacia do Sado!! Wink

Olá Rui,

Boa questão, parece que vêm de algum destino diferente!

Então a ocorrência dos bichos:

2008 - 19oct até 11dez
2009 - 25oct até 8 Jan (2010)
2010 - Só no dia 28 de Dez.
2011 - Só no dia 13 de Oct.

Abraço
Thijs
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Re: A questão da categoria D

Mensagem por Araújo da Silva em Sex Jun 01, 2012 6:12 am


Viva a todos!

Mas dirijo-me em particular ao Gonçalo, enquanto co-autor de: Catry P., Costa H., Elias G. & Matias R. 2010. em AVES DE PORTUGAL – ORNITOLOGIA DO TERRITÓRIO CONTINENTAL. Assírio & Alvim, Lisboa.

Relativamente aos Branta, percebo o motivo da não inclusão do canadensis naquela obra. Mas seguindo o mesmo raciocínio (as espécies da categoria D não integram a Lista Sistemática das Aves de Portugal Continental), o que vos levou a ali inscrever o Cygnus olor ?

E os leucopsis que andam por aí? Quando as autoridades “inventaram” a categoria D, julgava que estavam considerar precisamente esta espécie como o melhor exemplo para a representar…

Cumprimentos

Jorge

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Araújo da Silva

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Re: A questão da categoria D

Mensagem por pedro121 em Sex Jun 01, 2012 7:11 am

Araújo da Silva escreveu:
E os leucopsis que andam por aí? Quando as autoridades “inventaram” a categoria D, julgava que estavam considerar precisamente esta espécie como o melhor exemplo para a representar…


As autoridades que "inventaram" a categoria D não eram portuguesas e nos paises onde foi "inventada" o leucopsis não é precisamente uma preocupação, diga-se que em Portugal também não é particularmente preocupante (sim, eu sei que é a espécie mais preocupante, mas os registros aceites parecem globalmente ok), mesmo o que andava no algarve, se virmos o historial da ave, até parece tudo bem, foi visto em sagres a vir do mar (bom), invernou na quinta do lago (a pastar com os galeirões, portanto tudo certo em termos de comportamento) em inicio de maio desaparece do algarve e aparece na lagoa de Óbidos (tudo certo em termos de período migratório) desaparece da lagoa de Óbidos para parte incerta...
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Re: A questão da categoria D

Mensagem por Carlos Pacheco em Sex Jun 01, 2012 7:26 am

Estava anilhado ou tinha algumas características peculiares que te permitam ter essa certeza quanto a ser a mesma ave Pedro?
Há nesta categoria D uma área muito cinzenta... Há muitas nuances na vida das aves provinientes de cativeiro que as pode "aproximar" dos comportamentos típicos das aves selvagens. Muitas destas espécies tem populações ferais na Europa e podem aparecer em qualquer lado com um comportamento totalmente selvagem. Será correcto classificá-las como "legítimas"?

Quanto à questão ainda não respondida colocada pelo Gonçalo, sobre o que é uma população sustentável, creio que se pode dizer isto quando ela se mantém por várias gerações sem intervenção "externa", ou seja sem reforços populacionais de mais aves seja qual for a sua origem. Por exemplo, penso que se pode dizer que os periquitos-de-colar tem populações sustentáveis, enquanto que os periquitos-comuns não
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Re: A questão da categoria D

Mensagem por Araújo da Silva em Sex Jun 01, 2012 7:34 am

pedro121 escreveu:As autoridades que "inventaram" a categoria D não eram portuguesas ...

Tens razão Pedro, deveria ter antes dito: «Quando as autoridades nacionais "adotaram" a categoria D» :-)

... e estava a lembrar-me de um indivíduo que surgiu no estuário do Cávado em outubro de 2005 (até aqui tudo bem) mas esqueceu-se de seguir para norte nos anos seguintes.
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Re: A questão da categoria D

Mensagem por pedro121 em Sex Jun 01, 2012 7:50 am

Carlos Pacheco escreveu:Estava anilhado ou tinha algumas características peculiares que te permitam ter essa certeza quanto a ser a mesma ave Pedro?

Sim tenstoda a razão, podem de facto serem aves diferentes, 2 a 3 individuos, mas a explicação mais simples não é serem a mesma ave? Considerando que a ave da quinta do lago apareceu logo a seguir á de sagres, e a da lagoa de obidos apareceu logo depois de ter desaparecido a da quinta do lago?

Carlos Pacheco escreveu:Muitas destas espécies tem populações ferais na Europa e podem aparecer em qualquer lado com um comportamento totalmente selvagem. Será correcto classificá-las como "legítimas"?

O problema base é sempre a origem da ave, a cat. D existe precisamente para colocar especies em que existe a hipotese de terem aparecido individuos legitimos.

Carlos Pacheco escreveu:Quanto à questão ainda não respondida colocada pelo Gonçalo, sobre o que é uma população sustentável, creio que se pode dizer isto quando ela se mantém por várias gerações sem intervenção "externa", ou seja sem reforços populacionais de mais aves seja qual for a sua origem.

A minha questão é quantas gerações são necessarias?
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Re: A questão da categoria D

Mensagem por Carlos Pacheco em Sex Jun 01, 2012 8:29 am

Não sei se há uma resposta concreta para essa questão. O tempo de uma geração pode ser variável de espécie para espécie (tenho algures uma tabela com estes valores para as espécies que ocorrem regularmente na Europa), mas não sei se qual é o número mínimo de gerações para que passe a ser considerada uma população sustentável. Vou averiguar
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Carlos Pacheco

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Re: A questão da categoria D

Mensagem por pedro121 em Sex Jun 01, 2012 8:45 am

Carlos Pacheco escreveu:Não sei se há uma resposta concreta para essa questão. O tempo de uma geração pode ser variável de espécie para espécie (tenho algures uma tabela com estes valores para as espécies que ocorrem regularmente na Europa), mas não sei se qual é o número mínimo de gerações para que passe a ser considerada uma população sustentável. Vou averiguar

É que é possível que uma população de uma espécie de vida longa pareça estar estabelecida e até a aumentar mas na realidade pode estar condenada a desaparecer devido a ter uma diversidade genética limitada (por exemplo).

Os dois faisões em Inglaterra pareciam estar estabelecidos e até a expandirem-se e no entanto agora… As varias espécies de psitacídeos que se estão a expandir na Europa, periquito-de-colar, conure-de-cabeça-azul, conure-de-cabeça-cinzenta etc todos parecem bem estabelecidos e nalguns casos estão já a sair dos ambientes urbanos para colonizarem áreas mais rurais, mas outras especies não tem tido tanto sucesso (felizmente!!), e depois de uma expansão inicial parecem ter problemas, mesmo em Portugal, as coisas não são tão lineares como as vezes parecem, o Lonchura malacca parece ter entrado em colapso (capturas para o comercio??) e está a ser substituído pelo Lonchura punctulata (que tem menos interesse para os paserinheiros), Euplectes afer parece estar a aumentar e talvez até em expansão para outras áreas, mas e o Ploceus melanocephalus?? Parece estar muito localizado, e não se vem propriamente grandes bandos…
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Re: A questão da categoria D

Mensagem por Gonçalo Elias em Ter Jun 05, 2012 4:33 am

Araújo da Silva escreveu:
Viva a todos!

Mas dirijo-me em particular ao Gonçalo, enquanto co-autor de: Catry P., Costa H., Elias G. & Matias R. 2010. em AVES DE PORTUGAL – ORNITOLOGIA DO TERRITÓRIO CONTINENTAL. Assírio & Alvim, Lisboa.

Relativamente aos Branta, percebo o motivo da não inclusão do canadensis naquela obra. Mas seguindo o mesmo raciocínio (as espécies da categoria D não integram a Lista Sistemática das Aves de Portugal Continental), o que vos levou a ali inscrever o Cygnus olor ?


Olá Jorge,

Desculpa só responder agora mas actualmente o meu acesso à net é limitado.

Relativamente à questão que colocas, gostaria de esclarecer que o nosso critério de inclusão de espécies na secção principal (ou na das duvidosas) não se guiou pela lista da SPEA mas sim de acordo com os nossos próprios critérios. Assim se explica que figurem lá espécies que nem sequer fazem parte da lista sistemática e não têm qualquer categoria atribuída, como por exemplo Serinus citrinella ou Nucifraga.

No caso do Cygnus olor (cito de memória porque não tenho aqui o livro) creio que existe um padrão de ocorrência concentrado nos meses de Inverno que sugere que haja invernantes 'selvagens' (provenientes das populações introduzidas na Europa). Mas depois vejo melhor e confirmo.

1 abraço,
Gonçalo
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Re: A questão da categoria D

Mensagem por pedro121 em Ter Jun 05, 2012 4:57 am

Gonçalo Elias escreveu:
No caso do Cygnus olor (cito de memória porque não tenho aqui o livro) creio que existe um padrão de ocorrência concentrado nos meses de Inverno que sugere que haja invernantes 'selvagens' (provenientes das populações introduzidas na Europa). Mas depois vejo melhor e confirmo.



Cisne-mudo

Sim, parece existir um padrão claro, com um pico de "chegadas" em Novembro e depois nova movimentação em Março que pode ser explicado por aves que estejam a retornar... mas a dimensão da amostra é pequena... Cool
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Re: A questão da categoria D

Mensagem por Araújo da Silva em Qua Jun 06, 2012 2:10 pm


Viva!

Se me é permitido, Gonçalo, compreendo e, mais do que isso, também concordo com a vossa decisão relativamente ao cisne.

Em relação ao gráfico do Pedro, gostaria de acrescentar os meus registos para o estuário do Cávado:


CISNE-MUDO Cygnus olor
- 6 indivíduos entre outubro de 2003 e o restante período de inverno
- 2 indivíduos entre setembro de 2004 e o restante período de inverno
- 2 indivíduos entre setembro de 2005 e o restante período de inverno
- 1 indivíduo entre outubro de 2009 e novembro seguinte
- 1 indivíduo entre maio de 2010 e março de 2011
- 1 indivíduo entre agosto e novembro de 2011







Julgo que, com excepção dos dois últimos casos, tenho uns bons concorrentes à categoria A. Não é?

Abraço

Jorge

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Re: A questão da categoria D

Mensagem por pedro121 em Seg Ago 11, 2014 9:47 am

Será que vai haver mexidas nas aves espécies incluídas na categoria D no próximo anuário (quando eventualmente sair).

Pelo que já foi comunicado o Ibis-sagrado entra, mas será que alguma sai?
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Re: A questão da categoria D

Mensagem por Gonçalo Elias em Seg Ago 11, 2014 10:49 am

Não tenho qualquer informação a esse respeito para além da espécie que referes.

No entanto, aproveitando o facto de teres puxado este post, lanço mais uma acha: tenho-me questionado se o Oxyura jamaicensis não estaria melhor na D que na C... Durante muito tempo presumia-se que as aves que apareciam por cá eram oriundas de outras populações europeias (logo, C5), mas a verdade é que a espécie já foi praticamente erradicada em Espanha e por cá continuam a aparecer bichos isolados, mais ou menos ao mesmo ritmo a que apareciam... neste momento, não me parece de todo evidente que sejam aves provenientes de outros países europeus e em minha opinião a hipótese de serem fugas não pode ser descartada...
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Re: A questão da categoria D

Mensagem por pedro121 em Seg Ago 11, 2014 11:54 am

Gonçalo Elias escreveu:neste momento, não me parece de todo evidente que sejam aves provenientes de outros países europeus e em minha opinião a hipótese de serem fugas não pode ser descartada...

Não, não pode, de resto essa espécie estar na categoria C sempre me pareceu questionável.
Existiu alguma evidencia concreta que algum dos registos em Portugal seria originário da população inglesa?

Considerando que a população inglesa foi extirpada, penso que é seguro que pelo menos os imaturos detectados nos últimos anos são fugas. Embora não saiba como está a espécie nos outros paises europeus.

Phoenicopterus minor é outro caso interessante, com 3 casais a criarem com sucesso em Espanha este ano, pergunto-me o que ira acontecer no futuro com esta espécie.

E depois temos a "piada" do Anser indicus, com a população holandesa despromovida da cat. C pergunto-me qual é a duvida em considerar este registo na categoria E.

E falando em piada, está mais que na hora de pensar em passar o registo de Anas falcata para a E. Twisted Evil  Twisted Evil 

Por outro lado os registos recentes de Gyps africanus em Espanha e Marrocos será altura de reavalia o registo de 2006, ou será demasiado cedo?
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Re: A questão da categoria D

Mensagem por Gonçalo Elias em Seg Ago 11, 2014 12:22 pm

pedro121 escreveu:Não, não pode, de resto essa espécie estar na categoria C sempre me pareceu questionável.
Existiu alguma evidencia concreta que algum dos registos em Portugal seria originário da população inglesa?

Julgo que não. Imagino que tenha sido uma suposição.

pedro121 escreveu:Considerando que a população inglesa foi extirpada, penso que é seguro que pelo menos os imaturos detectados nos últimos anos são fugas. Embora não saiba como está a espécie nos outros paises europeus.

Deixo um link de um pdf do ministério do ambiente espanhol que faz um ponto de situação das acções de controlo desta espécie.
http://www.magrama.gob.es/es/biodiversidad/temas/conservacion-de-especies-amenazadas/oxyura_jamaicensis_2013_tcm7-307099.pdf

pedro121 escreveu:Phoenicopterus minor é outro caso interessante, com 3 casais a criarem com sucesso em Espanha este ano, pergunto-me o que ira acontecer no futuro com esta espécie.

E depois temos a "piada" do Anser indicus, com a população holandesa despromovida da cat. C pergunto-me qual é a duvida em considerar este registo na categoria E.

E falando em piada, está mais que na hora de pensar em passar o registo de Anas falcata para a E. Twisted Evil  Twisted Evil 

Por outro lado os registos recentes de Gyps africanus em Espanha e Marrocos será altura de reavalia o registo de 2006, ou será demasiado cedo?

Já agora deixo aqui mais uns casos para debate:

- Bucanetes githagineus - este é um daqueles que do meu ponto de vista faria mais sentido na cat. D que na A...
- Leiothrix lutea - candidato a passar para a C (?)
- Lonchura punctulata - idem, mas admito que com a recente experiência do L. malacca possa ser prematuro
- todas as espécies para as quais só há registos antigos, tais como como Nucifraga, Bombycilla, F. rusticolus, S. citrinella e mais alguma que agora não me ocorre (deveriam ser definitivamente aceites ou rejeitadas)
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Re: A questão da categoria D

Mensagem por pedro121 em Seg Ago 11, 2014 12:39 pm

Gonçalo Elias escreveu:
Bucanetes githagineus - este é um daqueles que do meu ponto de vista faria mais sentido na cat. D que na A...

Porque?

Gonçalo Elias escreveu:- Leiothrix lutea - candidato a passar para a C (?)

pois, tendo em conta os poucos registos dos últimos tempos, e o preço deles no comercio não me parece realmente necessário.

Gonçalo Elias escreveu:- Lonchura punctulata - idem, mas admito que com a recente experiência do L. malacca possa ser prematuro

Muito prematuro mesmo.


Gonçalo Elias escreveu:- todas as espécies para as quais só há registos antigos, tais como como Nucifraga, Bombycilla, F. rusticolus, S. citrinella e mais alguma que agora não me ocorre (deveriam ser definitivamente aceites ou rejeitadas)

Ahhhh, mas se algumas não tem registos submetidos ao CPR como é que podem ser aceites ou rejeitados?  Very Happy Very Happy 
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Re: A questão da categoria D

Mensagem por Gonçalo Elias em Seg Ago 11, 2014 1:57 pm

pedro121 escreveu:
Gonçalo Elias escreveu:
Bucanetes githagineus - este é um daqueles que do meu ponto de vista faria mais sentido na cat. D que na A...

Porque?

Bem, porque não existe qualquer prova de que as aves observadas sejam de origem selvagem.

pedro121 escreveu:
Gonçalo Elias escreveu:- todas as espécies para as quais só há registos antigos, tais como como Nucifraga, Bombycilla, F. rusticolus, S. citrinella e mais alguma que agora não me ocorre (deveriam ser definitivamente aceites ou rejeitadas)

Ahhhh, mas se algumas não tem registos submetidos ao CPR como é que podem ser aceites ou rejeitados?  Very Happy Very Happy 

É um pouco como as espécies da categoria B - nunca foram submetidas a qualquer comité e no estanto estão na lista das aves de Portugal.

E tens também o caso de Corvus frugilegus - está na cat. A sem nunca ter sido submetido.

Não estou a sugerir que o tratamento destes registos antigos seja fácil (não é), mas apenas a salientar que o facto de uma espécie não ter registos submetidos não constitui um impedimento absoluto.
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Re: A questão da categoria D

Mensagem por pedro121 em Seg Ago 11, 2014 2:52 pm

Gonçalo Elias escreveu:
Bem, porque não existe qualquer prova de que as aves observadas sejam de origem selvagem.

Hummm, bem, também não existe nenhuma prova para nenhum dos passeriformes, quantos dos passeriformes raros encontrados em Portugal tinham sido anilhados? E no entanto assume-se que são selvagens, geralmente só nos patos e companhia é que a questão das fugas se levanta.

O Bucanetes githagineus existe em cativeiro, terá com certeza alguns casais em Portugal, mas será com certeza um numero insignificante, existem populações em Espanha e Marrocos, os dois registos enquadram-se com dispersão pos nupcial em período de seca.



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Re: A questão da categoria D

Mensagem por Gonçalo Elias em Seg Ago 11, 2014 3:13 pm

pedro121 escreveu:Hummm, bem, também não existe nenhuma prova para nenhum dos passeriformes, quantos dos passeriformes raros encontrados em Portugal tinham sido anilhados? E no entanto assume-se que são selvagens

Provas não existem, mas existem evidências fortes.

Repara no seguinte:

Os passeriformes raros encontrados em Portugal pertecem quase todos a um destes dois conjuntos:
- migradores de longa distância que nidificam no centro / norte / leste da Europa ou até da Sibéria e invernam nas regiões tropicais de Ásia ou África; este grupo inclui principalmente insectívoros, como silvídeos, muscicapídeos e motacillídeos, mas também emberizídeos e pelo menos um fringilídeo; estas espécies foram detectadas sobretudo no final do Verão ou no início do Outono, ocasionalmente no Inverno; o padrão de ocorrência coincide com o que se observa noutros países da Europa;
- migradores de média distância que nidificam no norte da Europa (ou nas montanhas do centro) e invernam na Europa central, a norte da Península Ibérica; este grupo inclui principalmente granívoros; estas aves surgem em geral no período mais frio do ano, sugerindo que se trata de overshooting invernal.
Em todas as aves que pertencem a estes grupos, o padrão de ocorrência coincidente com as datas das migrações e não sugere a possibilidade de ocorrência não selvagem (mormente no caso dos insectívoros). Por outras palavras, é razoável assumir que são indivíduos selvagens.

Fora deste grupo, tens registo de três espécies oriundas no norte de África:
- Oenanthe deserti - dois registos - é razoável assumir que se tratava de aves selvagens, uma vez que se trata de um migrador transariano
- P. moussieri - um registo (e outro não confirmado) - não tenho aqui acesso a bibliografia para saber se esta espécie se mexe, de qualquer forma o facto de ser uma ave insectívora (pouco dada a ocorrer em cativeiro) e o local de observação - cabo de São Vicente - sugerem fortemente uma ocorrência selvagem
- Bucanetes - ver comentário abaixo.

pedro121 escreveu:geralmente só nos patos e companhia é que a questão das fugas se levanta.

Não sei o que entendes por "patos e companhia", mas tens mais casos: os pelicanos, o flamingo-pequeno, a rola-do-senegal, algumas rapinas...

E posto isto volto à questão do Bucanetes:

pedro121 escreveu:O Bucanetes githagineus existe em cativeiro

Mesmo sem ter mais elementos, desde logo é um motivo para ficar de pé atrás quanto à origem das aves

pedro121 escreveu:terá com certeza alguns casais em Portugal, mas será com certeza um numero insignificante

o número de registos em liberdade também não é grande, portanto por aí não chegamos a qualquer conclusão.
Até podia haver só dois indivíduos em cativeiro, isso não seria impedimento a que aparecessem à solta

pedro121 escreveu:existem populações em Espanha e Marrocos, os dois registos enquadram-se com dispersão pos nupcial em período de seca.

Podes dizer-me em que te baseias para falar de "dispersão pós-nupcial" nesta espécie?
Em Espanha a espécie ocorre apenas no extremo sueste (Almeria, Murcia e províncias adjacentes) e que eu saiba é sedentária, não aparece em dispersão no resto do território espanhol. Quanto a Marrocos não tenho aqui elementos para poder confirmar mas tenho ideia que ocorre apenas para sul do Atlas (vi muitos quando lá estive em 1992) e que não aparece habitualmente na metade norte do país.
Em suma estes dois registos não se enquadram em qualquer padrão conhecido para esta espécie (nem temporal, nem geográfico, nem migratório) e quanto a mim isso constitui razão suficiente para pelo menos considerar a hipótese de fuga de cativeiro. Daí eu ter sugerido a cat. D.
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Re: A questão da categoria D

Mensagem por pedro121 em Seg Ago 11, 2014 3:40 pm

Eu depois volto à questão do trompeteiro.

Gonçalo Elias escreveu:
- Oenanthe deserti - dois registos - é razoável assumir que se tratava de aves selvagens, uma vez que se trata de um migrador transariano
-


Sim, mas atenção que a origem das aves enquadra-se melhor como tendo origem nas populações asiaticas, de resto em linha com as ocorrências europeias.
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Re: A questão da categoria D

Mensagem por Gonçalo Elias em Seg Ago 11, 2014 3:46 pm

pedro121 escreveu:Sim, mas atenção que a origem das aves enquadra-se melhor como tendo origem nas populações asiaticas, de resto em linha com as ocorrências europeias.

De acordo, embora a possibilidade de "reverse migration" não possa ser excluída. De qualquer forma, o aspecto essencial nesta espécie é que é uma migradora de longa distância.
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Re: A questão da categoria D

Mensagem por pedro121 em Seg Ago 11, 2014 4:09 pm

Gonçalo Elias escreveu:
É um pouco como as espécies da categoria B - nunca foram submetidas a qualquer comité e no estanto estão na lista das aves de Portugal.

Sim, mas nota que em Portugal geralmente assume-se que é da competência do CPR "cuidar" da lista oficial, ora isso que eu saiba não está escrito em lado nenhum, ou está? noutros países existem órgãos separados, em que um trata dos registos e outros da lista, é o caso em Inglaterra com o BOURC e o BBRC

Gonçalo Elias escreveu:E tens também o caso de Corvus frugilegus - está na cat. A sem nunca ter sido submetido.

Ahhh, bem lembrado eu nunca percebi muito bem se o registo tinha sido homologado ou não, e isto porque na lista "oficial" diz o seguinte:

"Primeiro registo homologado: 1 ind., 09.12.1987, Vale Bom, Odelouca, Faro (G. Vowles in Costa et al. 1999);"

E efectivamente consta esse registo como homologado na Pardela 8, mas no entanto no site do Aves de Portugal não está indicado que o registo está homologado, e tu já por farias vezes levantas-te essa lebre, portanto está ou não homologado o registo? ou melhor, foi o registo homologado sem ter sido submetido, e se sim, com base em que?

Gonçalo Elias escreveu:Não estou a sugerir que o tratamento destes registos antigos seja fácil (não é), mas apenas a salientar que o facto de uma espécie não ter registos submetidos não constitui um impedimento absoluto.

Certo, certo, não é de maneira nenhuma, o que eu acho é que não cabe ao CPR validar registos que não lhe foram submetidos, existem com certeza outras formas de o fazer. Um artigo de revisão publicado numa revista da especialidade serviria perfeitamente não?
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Re: A questão da categoria D

Mensagem por Gonçalo Elias em Ter Ago 12, 2014 1:12 am

Quanto ao C. frugilegus, só poderei responder quando tiver acesso às minhas fontes bibliográficas (início do próximo mês) mas citando de memória, esse registo foi publicado num noticiário ornitológico no tempo do CIR (quando não era necessária homologação). Tanto quanto sei nunca houve qualquer descrição para o processo de homologação, mas não tenho a certeza quanto a esta parte, é possível que tenha sido submetida dez anos mais tarde. Seja como for, segundo está escrito na Pardela 5, publicada em 1997 (primeiro relatório do CPR com o texto de apresentação), é suposto os registos submetidos - tanto as descrições, como os comentários de avaliação - poderem ser consultados por qualquer pessoa que o solicite, portanto imagino que não seja complicado esclarecer essa situação.

No que se refere à competência para elaborar uma lista nacional, de facto não existe qualquer "BOURC português". Nota que o que o BOURC faz não é apenas produzir a lista; é também analisar os primeiros registos (first records); em Portugal não existe qualquer organismo à parte com essa responsabilidade - mas creio que isso acontece noutros países também.

De qualquer forma, insisto neste ponto: os registos da categoria B nunca foram submetidos e nunca houve qualquer descrição. E no entanto foram incorporados na lista geral.
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Re: A questão da categoria D

Mensagem por pedro121 em Ter Ago 12, 2014 2:54 am

Gonçalo Elias escreveu:
De qualquer forma, insisto neste ponto: os registos da categoria B nunca foram submetidos e nunca houve qualquer descrição. E no entanto foram incorporados na lista geral.

Sim, e dai? Eram todos espécies com registos históricos fortes e citados na literatura, é preciso não esquecer que a categoria B quer apenas dizer que a espécie não é vista desde 1950 (?), portanto é algo difícil alguém submeter alguma coisa ao CPR que volto a dizer não tem que avaliar esses registos na minha opinião, mas quem elaborou a lista oficial deve ter considerado que o material bibliográfico e museológico era suficiente para essas espécies serem incluídas na categoria B, diga-se que eu concordo com a sua inclusão, e penso alias que é uma questão pacifica, ou tu discordas com alguma?

Bom, e quanto as que ficaram de fora, bem, nalguns casos as provas são tão fracas que ninguém parece levar a coisa muito a serio, mas noutros não é assim, claro que até alguém publicar alguma coisa a dizer claramente que:

"na minha opinião e com base no material disponível a espécie A deve ser incluída na cat B mas a espécie C com base no material disponível não deve"

A coisa não anda porque para todos os efeitos o que se passa é que tu tens a tua opinião e eu tenho a minha sobre quais são as espécies que podem ser incluídas, mas são apenas opiniões.

Com tanta gente a tirar o curso de biologia pode ser que alguém pegue nesta questão para fazer uma tese?  Smile  Smile 
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pedro121

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Re: A questão da categoria D

Mensagem por pedro121 em Ter Ago 12, 2014 2:59 am

Gonçalo Elias escreveu:
No que se refere à competência para elaborar uma lista nacional, de facto não existe qualquer "BOURC português". Nota que o que o BOURC faz não é apenas produzir a lista; é também analisar os primeiros registos (first records); em Portugal não existe qualquer organismo à parte com essa responsabilidade - mas creio que isso acontece noutros países também.

Sim, porque uma coisa é um comité concordar com a ID outra coisa é inclui-lo na lista, em que questões como a proveniência vem à tona.

Na realidade talvez fosse bom para fazer uma revisão dos registos da cat D, bem como os históricos.

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pedro121

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Re: A questão da categoria D

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